Lutemos contra a intervenção imperialista e qualquer ataque militar! Por um futuro democrático para o Irão!

28-02-2026

O Irão está mais uma vez num ponto de viragem histórico. Uma nova onda de luta irrompeu nas ruas das cidades e aldeias de todo o país. Esta revolta é a expressão concentrada de décadas de opressão, exploração, humilhação e futuros roubados sob um regime teocrático que negou sistematicamente ao povo os seus direitos mais básicos. Mesmo que a revolta tenha sido ou venha a ser esmagada com o derramamento brutal de sangue de milhares de mortos e dezenas de milhares de feridos, as brasas continuam a arder e o internacionalismo proletário é chamado a mostrar a sua contínua solidariedade.

Desde o início que a República Islâmica se baseou na destruição dos direitos e liberdades democráticas, tais como o direito de reunião e associação. Os direitos das mulheres, dos trabalhadores e dos sindicatos foram negados, assim como os direitos dos povos oprimidos e das comunidades religiosas, tais como os curdos e outros. Todos os grandes movimentos de protesto das últimas décadas se opuseram a isso. Após o assassinato de Jina Amini, as mulheres e os jovens, em particular, revoltaram-se contra o uso obrigatório do véu e o domínio patriarcal.

Desencadeada pelo colapso catastrófico das condições de vida, uma nova e ainda mais radical fase de luta surgiu agora entre os estractos mais baixos da sociedade – trabalhadores, jovens desempregados, moradores urbanos e rurais marginalizados e pobres. A sua mensagem é simples e directa: este regime tem de acabar.

A ausência de slogans reformistas não é uma fraqueza, mas um sinal de maturidade política nascida de uma experiência amarga. As pessoas estão a arriscar as suas vidas porque, na realidade, já lhes foi tirado tudo. Foi precisamente isso que deu à revolta de Janeiro de 2026 o seu potencial explosivo e transformador.

Quando o governo toma medidas brutais, não é contra os serviços secretos israelitas e norte-americanos e os seus agentes no Irão, mas contra as massas que travam uma justa luta. As ações do governo devem ser recebidas com resistência activa!

A classe trabalhadora no centro

A classe trabalhadora está no centro desta crise. É a mais afetada pela inflação, pelo desemprego e pelo desmantelamento dos serviços sociais. Mesmo que ainda não vejamos a classe trabalhadora a agir como uma força unificada e organizada com estruturas nacionais, isso deve ser entendido como uma consequência directa de décadas de repressão brutal. Os Sindicatos independentes foram proibidos, as organizações revolucionárias foram fisicamente destruídas e qualquer tentativa de organização colectiva foi recebida com prisão, tortura e execução.

No entanto, a classe trabalhadora está presente nas ruas em todos os lugares. Essa realidade não é motivo para pessimismo — é um convocatória para a ação.

Não ao Xá, não ao Líder Supremo

Ao mesmo tempo, o perigo de uma contrarrevolução é real. As potências imperialistas ocidentais estão a tentar activamente moldar o futuro do Irão de acordo com os seus próprios interesses. Através de campanhas mediáticas massivas e apoio político, estão a promover o filho do Xá como uma suposta alternativa. Este projecto não se baseia nas aspirações das massas iranianas, mas nos cálculos estratégicos do capital imperialista.

Estudantes, movimentos feministas, povos oprimidos, sindicatos clandestinos e organizações democráticas têm repetidamente declarado: "Abaixo o opressor, seja ele o Líder Supremo ou o Xá". As camadas nostálgicas e retrógradas que hoje estão a ser mobilizadas em prol do filho do Xá são setores restritos da sociedade, muitas vezes compostas por lumpenproletários. E os meios de comunicação internacionais ocidentais mobilizam-se a seu favor. Ele não representa a libertação, mas sim outra forma de despotismo.

Também no Irão, a democracia e a liberdade para os trabalhadores e o povo trabalhador só serão alcançadas, em última instância, através da revolução e do socialismo.

Por uma frente unida contra o fascismo e o imperialismo, pela democracia, liberdade e a perspectiva do socialismo!

Não estamos do lado dos governos de Washington, Bruxelas ou Tel Aviv, mas do lado da acção independente do povo e da sua genuína emancipação.

Sob as condições do regime fascista, a construção de uma frente única contra o fascismo e o imperialismo é uma necessidade histórica estratégica para a unificação dos movimentos operários e feministas, estudantes, nacionalidades oprimidas, democratas revolucionários e marxistas-leninistas. A unidade nesta luta não requer uniformidade ideológica em todas as questões. Em vez disso, requer unidade na acção e uma cultura democrática de debate sobre as perspetivas futuras.

O que também falta no Irão hoje é um partido marxista-leninista/comunista forte, enraizado nas massas e capaz de liderar o movimento pela liberdade. No entanto, a construção de tal partido enfrenta dificuldades extremas nas condições actuais. Isto torna a luta pelos direitos e liberdades democráticos ainda mais importante!

A agressão imperialista contra o Irão está ligada aos esforços para reorganizar a região e não é independente dos ataques contínuos contra os palestinianos e do genocídio em Gaza ou da invasão da Venezuela.

A rebelião espontânea deve ser transformada em luta consciente e organizada. Somente uma revolução democrática genuína pode criar as condições necessárias para a preparação e implementação de uma revolução socialista, que por si só significará a libertação real do povo iraniano da exploração e da opressão.

Apoiemos as forças democráticas, seculares e progressistas na sua luta. Dêmos voz às suas vozes. Defendamos o seu direito de determinarem o seu próprio futuro.

Não a todos os reaccionários.

Não a todos os imperialistas.

A repressão das suas lutas e revoltas não quebrou a vontade do povo iraniano. Eles merecem um futuro que eles próprios construam com as suas próprias mãos, moldado pelo imenso poder criativo das massas organizadas que se levantam a partir de baixo. Estamos com eles.

Solidariedade para com a luta dos povos do Irão pela liberdade e pela democracia!

Apoiemos as forças revolucionárias e progressistas no Irão!

Desenvolvamos a frente única contra o fascismo e a guerra em todos os países e em todo o mundo – Solidariedade com os povos da Venezuela, Palestina, Rojava, Gronelândia...!

Fortaleçamos a ICOR e todos os partidos e organizações democráticas e revolucionárias!

Status of the signatories 28.02.2026. Further signatures possible. Current list of signatories at www.icor.info

  • PCPCI Parti Communiste Proletarien de Côte d'Ivoire (Partido Comunista Proletário da Costa do Marfim)
  • UPC-Manidem Union des Populations du Cameroun - Manifeste National pour l'Instauration de la Démocratie (União das Populações dos Camarões – Manifesto Nacional pelo Estabelecimento da Democracia)
  • MMLPL Moroccan Marxist-Leninist Proletarian Line (Marroquinos Marxistas-Leninistas, Linha Proletária)
  • CPSA (ML) Partido Comunista da África do Sul (Marxista-Leninista)
  • PCT Parti Comuniste du Togo (Partido Comunista do Togo)
  • PPDS Parti Patriotique Démocratique Socialiste (Partido Patriótico Democrático Socialista), Tunísia
  • RUFN Frente Única Revolucionária do Nepal
  • CPA/ML Partido Comunista da Austrália (Marxista-Leninista)
  • Krasnyj Klin Аб'яднання беларускіх камуністаў «Чырвоны Клін» (Grupo de Comunistas Revolucionários "Cunha Vermelha"), Bielorrússia
  • БКП Българска Комунистическа Партия (Partido Comunista da Bulgária)
  • PR-ByH Partija Rada - ByH (Partido trabalhista - Bósnia e Herzegovina)
  • MLPD Marxistisch-Leninistische Partei Deutschlands (Partido Marxista-Lenininsta da Alemanha)
  • UPML Union Prolétarienne Marxiste-Léniniste (União Proletária Marxista-Leninista), França
  • BP (NK-T) Bolşevik Parti (Kuzey Kürdistan-Türkiye) (Partido Bolchevique (Norte do Curdistão – Turquia)
  • KOL Kommunistische Organisation Luxemburg (Organização Comunista do Luxemburgo)
  • RM Rode Morgen (Amanhecer Vermelho), Países Baixos
  • UMLP União Marxista-Leninista Portuguesa
  • RMP Российская маоистская партия (Partido Maoísta Russo)
  • MLGS Marxistisch-Leninistische Gruppe Schweiz (Grupo Marxista-Leninista da Suiça)
  • TKP-ML Türkiye Komünist Partisi – Marksist-Leninist (Partido Comunista da Turquia – Marxista-Leninista)
  • KSRD Koordinazionnyj Sowjet Rabotschewo Dvizhenija (Concelho de Coordenação do Movimento da Classe Trabalhadora), Ucrânia
  • PCC-M Partido Comunista da Colômbia – Maoísta
  • PCP (independiente) Partido Comunista Paraguaio (independente)
  • PC (ML) Partido Comunista (Marxista-Leninista), República Dominicana
  • SUCI (C) Socialist Unity Center of India (Communist) (Centro de Unidade Socialista da Índia (Comunista)
  • CPPDM Partido do Povo Chinês para a Defesa de Mao Tsé-Tung
  • Chinese Communists (MLM) Comunistas Chineses (Marxista-Leninista-Maoísta)

Signatários adicionais (non-ICOR):

RMP Российская маоистская партия (Partido Maoísta Russo)